Priscilla Porto: Quem deresse!

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“Quem me dera ao menos uma vez/Acreditar por um instante em tudo que existe/E acreditar que o mundo é perfeito/E que todas as pessoas são felizes”… o trecho é da música “Índios”, conhecida por fazer parte do legado do Legião Urbana, e lançada no disco “Dois”, de 1986.

Mas, em 2019 e 2020, essa é uma “realidade” tão contemporânea: acreditar que todas as pessoas são felizes.


“Quem deresse!” – já dizia minha filhinha de seis anos, a qual é neologista nata, assim como toda criança de sua idade.

Quem deresse!, digo eu, todas as pessoas serem felizes! Não, não são. Infelizmente.

Mas a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo, a cada #TBT, essa é a impressão que temos, quando visualizamos tantas fotos e mensagens de nossos contatos em aplicativos e rede sociais. Como se viver, hoje em dia, fosse ter que provar, a todo momento, que você é feliz! Ou que você também é feliz, assim como todo mundo que está estampado naquelas fotos sorridentes em festas, piscinas, restaurantes, academias, praias, viagens ou simplesmente com o amor ao lado.

Fotos essas que poderiam receber um único e devido crédito: Falsiane/Agência: mundofantasticodebobnews. E cujas legendas poderiam se resumir a uma só: “Na real: quem deresse!”.

Porque o mundo anda tão estranho! Como se as pessoas estivessem o tempo todo em uma grande odisseia, na qual o que importa sempre é postar, depois de devidamente produzir a foto e o sorriso – provas cabais de que os personagens ali estampados são felizes, quando, na realidade – nua e crua, e cabalmente – na maioria das vezes nem estão.

Instagram:

https://www.instagram.com/priscillaportoescritora

Priscilla Porto

Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial”.