Priscilla Porto: Dançar nesta vida

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“Ser humano, aprenda a dançar! Senão, os anjos do céu não saberão o que fazer de você.” (Santo Agostinho)

A citação de Santo Agostinho, em um dos seus poemas, pode ser simplificada em uma palavra: Viva!

Há dois meses para um novo ano, já começo a refletir sobre fatos passados e planos futuros – fatores componentes desta “coisa” inexplicável que é viver. E sinto ressurgir em mim um medo enorme de ficar paralítica. Não do corpo.

Temo a paralisia da coragem. Pois parece que, à medida que o tempo passa, vamos tendo cada vez mais, menos coragem de arriscar. Temo a paralisia da curiosidade. Pois parece que, à medida em que crescemos, a criança que quer saber “o que é isso?”, “por quê?” e que mexe e remexe em tudo o que vê pela frente, vai cada vez mais, sendo por nós abandonada.

Temo a paralisia dos sentimentos. Pois parece que, à medida que conhecemos algumas emoções, passamos a ter um grande medo de tê-las novamente no rol de nossas histórias pessoais. Temo a paralisia do inusitado. Pois parece que à medida em que a vida corre, temos cada vez mais, apego pelo conhecido, pelo comodismo. E preferimos optar pelo velho, abandonando o que poderia ser não somente novo, mas, sobretudo, belo, agradável e surpreendente.

Temo a paralisia da admiração.   Pois parece que à medida que o tempo passa, o tempo consumido pelos nossos trabalhos, estudos e compromissos banaliza cada vez mais o “Bom dia!”, o almoço com alguém querido ou o olhar feliz do cachorro que vê o dono adentrar pela cancela.

Temo, acima de tudo, encontrar-me, de repente, com os anjinhos agostinianos sem ter aprendido seus passos.

Priscilla Porto

Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial.