Priscilla Porto: Crônica da Separação

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Priscilla Porto: Crônica da Separação

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“Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.”

Escreveu Vinícius de Moraes no “Soneto da Fidelidade”. Poema do qual me lembrei quando o marido falou pro advogado que queria se separar da esposa.

À declaração, seguiram-se assuntos relacionados a bens para qual das partes, guarda dos filhos, visitação etc. Esqueceram-se do mais importante: o fim da união. De que valem os trâmites práticos de uma separação diante do término de uma história juntos?

Fiquei imaginando o primeiro encontro dos dois (apesar de desconhecer quem era a esposa); o primeiro beijo; o primeiro frio na barriga que dá no reencontro; a vontade de ligar um pro outro; a vontade de se verem; a apresentação às famílias; os passeios, shows e aniversários juntos; o primeiro “eu te amo”; a primeira aliança; o amor aumentando, virando certeza; o “sim” oficial – ao crivo da lei ou aos olhos de Deus; a vida sendo construída em conjunto; os filhos nascendo; os filhos crescendo e ensinando – aos dois – muitas coisas… Muitas coisas que viveram juntos para terminarem em uma “simples” separação.

Nem tudo, nesta vida, deveria ter fim. Não fomos preparados para a quebra de uma relação. Vivemos em uma cultura onde o “The End” aparece em um momento no qual prolonga a ilusão do “Foram felizes para sempre…”. Assim, torna-se difícil para aquele que não queria a separação reaprender a viver sozinho, sendo obrigado a se desfazer de toda uma história. E ainda ter que se conformar que o amor, em muitos casos, é realmente uma chama.

Priscilla Porto

Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial.