Priscilla Porto: Testemunha ocular

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Ser testemunha ocular de uma história tão estarrecedora quanto à da pandemia do novo coronavírus não fazia parte de meus planos.

Minha filha de seis anos já quis matar esse vírus, já ficou muito triste com ele, já o culpou de ser o responsável por ela não poder ir mais ao parquinho.


Provavelmente, ser testemunha ocular de uma história tão terrificante quanto à da pandemia da Covid-19 não fazia parte dos planos de ninguém das últimas gerações – que estão sendo todas ceifadas, independentemente da idade, condição social e de saúde.

E também, provavelmente, seus filhos já quiseram matar esse vírus, ficaram muito tristes com ele, e já o culparam de ser o responsável por eles não poderem ir mais ao parquinho.

Um ser minúsculo que tem destruído gigantes. Um ser invisível, que tem tornado tão concreto o desespero de uma pandemia. Um vírus horroroso, ilustrado em sites, redes sociais e telejornais, incutindo em nós os piores temores e pesadelos.

Um ser minúsculo, invisível e horroroso que virou o mundo de ponta a cabeça; impôs condições iguais a nações tão diferenciadas por economia, crenças e cultura. E, por fim, sentenciou: o mundo pode sim parar!

Somos testemunhas, ele é o Réu, muitas pessoas estão sendo as vítimas e qual será o legado, além de tanta sentença final?

Instagram:

https://www.instagram.com/priscillaportoescritora

Priscilla Porto

Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial”.