Priscilla Porto: Dia de Faxina

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Não era dia de semana, nem sábado ou domingo. Tampouco feriado. Há alguns dias, já vinha mandando água pra baixo. Muita. Enxurrada. Pra lavar canto, pé sujo, trouxas, encardido e sujeira grossa. Faltava o sabão em pó.

Juntou, embaixo do braço, em uma daquelas sacolas tipo de feira, escova, sabão em barra, desinfetante. Pano de chão? Não era preciso. Deixaria o sol secar por conta. Mas da faxina precisava. Há muito.


Coçou um pouco a barba, olhou bem para sua túnica. Melhor seria trocar. E arregaçar as mangas da blusa trocada e as pernas da calça.

Para ir comprar o sabão em pó, chamou Maria. Inventaram tantos ultimamente. Precisaria de um bom de verdade, mas que não custasse muito – por favor! Tinha Classic, Progress, Multiação, Espuma Controlada, Espuma Descontrolada…

Optou pelo produto com Branqueadores Superativos.

Armaria a limpeza geral, junto com Maria, a Madalena, a qual se prontificou a ajudar. Não se limitaria a lavar os pés dos fiéis. Resolveu lavar tudo aqui embaixo: sacanagem, trapaça, maldade, violência, golpes, tráfico de drogas, traições …

Mas, depois de pagar a conta no Supermercado Celeste, percebeu que o tipo de sabão em pó que teria que ter comprado era outro.

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Priscilla Porto

Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial”.