Priscilla Porto: Meu, seu, sua?

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Um dia, você percebe que pode estar sozinho por aqui.

Pois, por mais que você tenha pai e mãe e um monte de irmãos, às
vezes, a solidão é tão aguda… Surge em filetes até crescer, crescer
e tomar seus pensamentos, sonhos e expectativas.


E parece que seus pais ficaram menos dependentes de você e você mais
distante deles. Ficou para trás a coragem de deitar no colo de sua mãe
e sentir aquelas mãos doces acariciando seus cabelos e fazendo você
esquecer que existem problemas no mundo.

Da mesma forma, os irmãos vão indo, aos poucos, embora. Até “arrumam”
para você cunhados, cunhadas e sobrinhos. Mas que, após o feriado
juntos, entram no carro e deixam você e a saudade para trás…

Nesta fase, os amigos da escola já quase te esqueceram completamente.
E o máximo que acontece, quando se encontram, é se estranharem, por
estarem mais magros ou muito mais gordos.

E o mundo habitado por bilhões de pessoas quase iguais a você
mostra-se extremamente cruel, pois você percebe que você pode ter roupas,
dinheiro, casa, carro, moto e dezenas de tantas outras coisas. No entanto, seres humanos você
não pode ter!

Ninguém!

Nem um exemplarzinho sequer!

Pequeno, grande, magro, gordo, bonito, feito, ocidental, oriental… nenhum deles pode
ser seu. E por mais que você encha a boca para afirmar que ele é “seu
marido”, ela é “sua esposa”, ou aqueles são “seus filhos”, o pronome
possessivo é cruelmente virtual quando relacionado às pessoas.

Priscilla Porto

Instagram:

https://www.instagram.com/priscillaportoescritora

Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial.