Priscilla Porto: Viagens Literárias – A bolha nossa de cada dia

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Instagram: @priscillaportoescritora

Aqueles dias em que a gente tem certeza de que não deveria ter saído de casa, talvez sejam os dias em que mais estejamos sujeitos a grandes aprendizados.


E, apesar de já termos recebido, no mínimo, umas cinco mensagens de “bom dia”, via whatsapp – majoritariamente do grupo da família – o dia vai se transfigurando em um verdadeiro episódio de série de terror, cujo final dá até medo de pressagiar.

Perde-se totalmente a paciência, que já nem andava muito achada. A vontade de ‘simplesmente’ largar tudo prepondera. E o esforço para não estourar com o primeiro pobre coitado que lhe questiona docemente sobre “como vai você”, torna-se colossal, quase insuportável.

Isso porque, ter um bom dia de verdade, tá valendo ouro. E, embora, as postagens de insta, status e face nos façam parecer verdadeiras Alices no País das Maravilhas ou protótipos de Peter Pans que nunca crescem, com agravo do adicional alcoólico em cada mãozinha postada ao lado do “tinino” – estar feliz, na essência, estar pleno ou plena, é uma quase cruel raridade.

Porque nas atuais badaladas redes sociais de inteligências superficiais, o aprendizado tem sido muito pouco, raso, ínfimo. Aprende-se bem mais naqueles dias em que o horário, o cafezinho, os colegas de trabalho, os irmãos, os filhos, os professores, o ônibus atrasado, o pneu furado, tudo/todos parecem ter a missão específica de terem acordado ou existirem somente para lhe espezinhar – como se o mundo girasse exclusivamente ao seu redor. Mas os quais, na realidade, lhe fazem duramente perceber o que acontece quando se fura a bolha imaginária em que temos cada vez mais nos escondido, contemporânea e insanamente.

Priscilla Porto

@priscillaportoescritora

Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial.