Senador Aécio Neves concede entrevista falando sobre o atual momento político de Minas

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A campanha eleitoral em Minas Gerais entra em nova etapa, com o início da propaganda dos candidatos na TV, rádios e jornais. Candidato a deputado federal nessas eleições, o senador e ex-governador Aécio Neves diz, em entrevista, estar confiante de que o Estado vai superar a atual crise financeira e iniciar um novo ciclo com a eleição de um novo governador e de uma bancada atuante no Congresso Nacional.

Aécio Neves fala, nessa entrevista, sobre os encontros que tem realizado com prefeitos, ex-prefeitos e lideranças mineiras.


“Precisaremos de lideranças que tenham uma presença no plano nacional e possam impor a agenda de Minas, inclusive junto ao próximo presidente eleito. Essa é a razão maior que me fez disputar uma cadeira de deputado federal”, diz Aécio.

Senador Aécio, o senhor tem participado de várias reuniões com lideranças por várias regiões de Minas Gerais. Qual o sentimento tem colhido dessas conversas?

Tenho tido a oportunidade de me reencontrar com mineiros de todas as regiões do estado e isso tem me permitido constatar o desastre que tem sido esse governo do PT. Conquistas absolutamente extraordinárias da época do nosso governo, como Minas o primeiro colocado na educação fundamental do Brasil; o melhor atendimento da saúde na região Sudeste; obras de infraestrutura por todo o estado, como o Proacesso, tudo isso foi jogado fora pela ineficiência do atual governo.

O sentimento que colho nessas reuniões é o da necessidade rápida, urgente, de colocarmos fim a esse ciclo perverso de governo do PT e iniciarmos um outro, com planejamento e organização das contas públicas, como fizemos no nosso tempo, pagar os salários dos servidores em dia, honrando os compromissos com os municípios mineiros. E a minha candidatura a deputado federal tem o sentido de ajudar no plano federal o governador Anastasia, que eu espero, possa ser eleito governador, a tirar Minas dessa crise sem precedentes no qual o atual governo nos mergulhou.

O sr. tem uma história na Câmara dos Deputados, presidiu essa Casa numa época muito importante, de grandes reformas. Como este retorno à Câmara como deputado federal, contribuirá para Minas?

Em primeiro lugar é preciso que os mineiros tenham consciência clara do grau das dificuldades que ainda iremos enfrentar. Minas tem hoje o maior desequilíbrio fiscal entre todos os 27 estados brasileiros em razão da inépcia desse governo. E por maior que seja o esforço do governador Anastasia, que, como disse, espero que vença as eleições, em reorganizar o estado, nós não superaremos essa crise rapidamente se não tivermos uma ação coordenada no Congresso Nacional, uma aliança não apenas da bancada de Minas, mas da bancada de Minas com outros estados, para falarmos de renegociação de dívida, de novos financiamentos que precisarão do aval da União.

Precisaremos de lideranças que tenham uma presença no plano nacional e possam impor essa agenda inclusive junto ao próximo presidente eleito. Essa é a razão maior que me fez disputar uma cadeira de deputado federal para voltar à Casa que já presidi, onde, como líder, ajudei o Brasil a provar algumas das mais importantes reformas, inclusive a criação do Plano Real, exatamente para dar ao governador Anastasia o apoio que ele precisará ter para voltar a cumprir com os compromissos que os mineiros não veem sendo cumpridos pelo atual governo. Precisamos de uma grande aliança, de uma grande parceria de todos aqueles que se disponham a continuar trabalhando por Minas Gerais.

A ex-presidente Dilma disputa uma vaga no Senado. Como o sr vê esse retorno da ex-presidente a Minas mais de 40 anos depois de ter saído do Estado?

Em primeiro lugar é preciso que eu deixe claro que deixei de disputar a candidatura à reeleição para o Senado exatamente para ampliar as alianças em torno do senador Anastasia, para que ele possa vencer as eleições e deixar para trás essa triste página da nossa história, esse governo do PT. A prioridade de todos nós foi exatamente fortalecer a candidatura que pudesse vencer as eleições, quem sabe já em primeiro turno.

E nós assistimos aqui a chegada da ex-presidente Dilma Rousseff, que se dá basicamente por duas razões. A primeira, porque ela não conseguiu viabilizar na terra que escolheu para ser sua, onde viveu pelos últimos 40 anos, que é o Rio Grande do Sul, uma candidatura majoritária. Mas ela chega em Minas, e essa é a segunda razão da sua candidatura, para de alguma forma esconder os equívocos e o fracasso do governo do PT aqui em Minas Gerais. Ao trazer essa falsa agenda de que foi vítima de um golpe, na verdade a ex-presidente Dilma considera que os mineiros são incautos, ou que os mineiros não se lembram efetivamente o que aconteceu no Brasil.

A ex-presidente foi afastada pela maioria dos seus aliados, porque cometeu crime de Responsabilidade, num julgamento em que o Senado da República participou e presidente do Supremo Federal dirigiu. Que golpe é esse? Não. Ela, infelizmente, com os desacertos do seu governo, mergulhou o Brasil na mais profunda recessão da nossa história recente, foram três anos consecutivos de crescimento negativo, com mais de 12 milhões de desempregados e até hoje, infelizmente, vivemos os efeitos perversos do desgoverno da ex-presidente.

E preciso que a verdade seja dita. Ela busca tapar o sol com a peneira, transformando um ato institucional, legítimo, em respeito à Constituição, que foi o seu afastamento, num discurso absolutamente político. Mas os mineiros, tenho certeza, não se deixarão enganar. O nosso papel é resgatar a verdade nessas eleições em Minas Gerais, eleger o governador Anastasia para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento, de geração de empregos no nosso estado, e, para isso, espero poder, na Câmara dos Deputado, ajudá-lo nessa difícil tarefa.

O sr. tem confiança na eleição de bancada forte na Câmara dos Deputados?

É fundamental que tenhamos uma bancada forte, não apenas do PSDB, mas uma bancada sintonizada com o futuro governo. Não conseguiremos superar as graves crises do estado apenas com ações internas dentro do próximo governo. É preciso que haja uma agenda para o país, como houve a agenda do Rio de Janeiro no ano passado, onde houve uma conscientização de representantes de vários estados da necessidade de criar ali um regime especial para o Rio de Janeiro.

Minas, que tem um quadro fiscal muito mais grave, precisará, também, a partir do início do ano que vem, de negociações específicas para que possamos botar ordem na casa, pagar o funcionalismo em dia, como sempre fiz quando fui governador, honrar os compromissos com os municípios e trazer novos investimentos para o nosso estado.