Priscilla Porto: Um casal, uma igreja e dois celulares

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Cenário melhor não há: adro de uma igreja histórica de Ouro Preto.

Descendo uma ladeira igualmente histórica avistei uma cena corriqueira, mas que – nem sei o porquê – acabou por chamar atenção:


Um rapaz sentado.

Uma moça sentada.

Ambos mexendo no celular.

Os dois um pouco distantes. Fisicamente mesmo.

Ele bem aparentado. Ela bem aparentada. Novos.

Bom, a inexperiência provoca muitas brigas, já se sabe…

Mesmo que ali tenham chegado juntos, sentado juntos, e por que não, planejado se casarem – obviamente juntos – em tão bela e imponente igreja.

Poderiam até ter acabado de ali chegar. E, igualmente, terem acabado de brigar. E, obviamente, terem ido zapear… cada um em seu celular. Distantes…

Distante foi a cena real:

Na verdade, eram dois turistas, de regiões diferentes. Bem como de estados e cidades diferentes. E até sotaques e crenças diferentes.

Estavam ali, por acaso, “juntos”.

Nem ao menos olharam um pro outro. Nem sequer tinham o número de whatsapp um do outro.

Porque nem tudo que se vê, é o que realmente está acontecendo…

Priscilla Porto

Autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para uma pessoa especial”.