Priscilla Porto: Abriram-se as Portas da Esperança!

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Hum… ano novinho pela frente…

Como café fresquinho, lençóis limpinhos, caderno novo…

Como a antológica “Terra à vista!”

Chegou, então, 2017!, “fofinho!”… pouquíssimos dias de nascido, tão bem-vindo como recém-nascidos!

Ou, escancaradamente, uma grande Porta que se abriu, carregada de muita Esperança.

E nosso olhinhos até brilham, diante de tantas possibilidades:

Vou emagrecer, vou pagar minhas dívidas, vou juntar dinheiro, vou arrumar um emprego melhor, vou à missa toda semana, vou retomar meu curso de inglês, vou estudar pro Enem com compromisso, vou fazer uma pós-graduação, vou juntar dinheiro pra viajar, vou trocar de carro, vou parar de comer porcaria, vou prestar serviço voluntário, vou ser melhor com minha família, vou…

Verdade é que, se praticamente nada disso foi feito, no ano passado, talvez o Próspero Ano Novo se torne palco para grandes remendos. Visto que, como em 2016, podemos ter empurrado com a barriga segundos, minutos, horas, dias e meses… de forma perigosamente desleixada.

Mas, tem jeito não, né, gente? Afinal de contas, uai! Somos gente! E gente erra!

Meu Deus, como gente erra!

E prorroga, e posterga, e promete, e não cumpre, e se arrepende, e se faz de coitadinho e… corre o risco de nunca concretizar nada.

Aí, chega em 31 de dezembro de 2017, e a euforia pela abertura da nova Porta da Esperança é tão grande, que, magicamente, a gente se esquece de que não realizou quase nada.

Um perigo isso, viu: descartarmos tantas oportunidades que nos são dadas; descartarmos cada dia de novos anos, como se fossem embalagens de um grande nada, inserindo também nosso precioso dia-a-dia na contemporânea cultura do desperdício.

Priscilla Porto

Autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para uma pessoa especial”.