Wagner diz que prefeitura deve quase 5 milhões aos 2 hospitais, e pede cautela com a UPA

0
1230

Foi realizado, na manhã desta quarta-feira (04/01), no gabinete do prefeito Wagner Mol, a primeira coletiva de imprensa do mandato. Além de Wagner, esteve presente a vice-prefeita Valéria Alvarenga e toda equipe de Governo (secretariado municipal, assessoria jurídica e direção do DMAES). Representantes de veículos de comunicação de Ponte Nova esclareceram suas principais dúvidas. A coletiva também teve a participação do presidente da Câmara Municipal de Ponte Nova, Leonardo Moreira, e de Noêmio Gomes Fernandes e Regislaine Neves, respectivamente presidente e gerente administrativa da Associação Comercial e Industrial de Ponte Nova/Câmara dos Dirigentes Lojistas (Acip/CDL).

Valéria Alvarenga introduziu a coletiva dizendo que a atual administração se propõe a acertar, mesmo estando sujeita a erros, extraindo deles o aprendizado para agir com humildade, acima de tudo. “Estamos dispostos a trabalhar com dedicação e lutar por nosso interesse maior, o bem de toda a coletividade”.


Já o prefeito Wagner Mol mencionou os princípios que nortearão sua gestão: transparência, gestão eficaz e participação das pessoas, comprometendo-se a trabalhar, diuturnamente, para que tais propósitos sejam colocados em prática. “Reuni uma equipe de trabalho competente, eficaz, composta por pessoas de minha extrema confiança, que demonstram comprometimento com a coisa pública e que têm a capacidade de colocar o programa de governo em prática. Teremos como cerne o atendimento dos interesses coletivos e daqueles que mais necessitam do serviço público”, declarou.

Após as palavras introdutórias, foi aberto espaço para perguntas por parte da imprensa. Indagado sobre os principais problemas que acometem a nova gestão, Wagner Mol elencou alguns deles:

– Saúde: “Há dívidas acumuladas pelos hospitais da cidade, sendo a maioria delas advinda de extrapolamentos que não foram pagos: R$ 1.890.000,00 do Hospital Arnaldo Gavazza (de agosto de 2015 até os dias atuais) e mais de R$ 3 milhões do Hospital Nossa Senhora das Dores (acumulados de julho de 2014 até hoje). Além disso, temos o risco de fechamento do serviço de atendimento para gestantes de alto risco, filas para cirurgias de catarata, espera de cerca de dois anos para consultas e procedimentos de ortopedia, fila de espera do TFD [Tratamento Fora do Domicílio) de quase 2 mil pessoas, entre muitos outros problemas gravíssimos que precisam ser enfrentados.”

– Cargos de confiança: "Desde 2014, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais impede as nomeações de servidores em cargos de confiança. Estamos tomando as providências e remodelando nossas estruturas. Mas há setores que estão funcionando com o mínimo de pessoal.”

– Frota municipal: "Temos mais de 100 veículos, sendo que metade não funciona, com veículos terceirizados atendendo às áreas de saúde e educação. No Meio Ambiente, nos deparamos com veículos sucateados, além de caminhões de lixo que estão parados ou estão em constante manutenção, fazendo com que o serviço de coleta seja realizado por caminhões caçamba.”

– Aterro Sanitário: "Ao visitar o local, deparei-me com uma montanha de lixo. Convido a todos a constatarem situação em que se encontra. Há três anos e meio o trator esteira que lá existe está parado.”

– Infraestrutura: "A estrutura da cidade está muito ruim, sobretudo pelas vias públicas mal cuidadas. Recapeamentos asfálticos realizados há pouco tempo já se encontram deteriorados.”

– Estação de Tratamento de Esgoto (ETE): "É grande a necessidade de sua implantação. Apesar de já existir parte dos recursos destinados aos intereceptores, Ponte Nova ainda não possui capacidade de endividamento – na casa dos R$ 20 milhões – para a execução do processo. Buscaremos outras fontes de recursos para solucionar esse problema.”

– Racionalização de gastos: "Não é o tamanho estrutural de uma secretaria que fará dela excelência em produção artística, cultural ou esportiva, mas sim o comprometimento e a efetividade das pessoas que lá se encontram. A economia de recursos retornará à população na forma de mais projetos e ações. Qualquer comentário diferente disso não equivale à verdade.”

– Servidores Públicos: "Queremos cumprir o pacto laboral, deixando claros os direitos e deveres que devem ser cumpridos, conforme preconizado no Estatuto dos Servidores Públicos. Sobre a campanha salarial, não existe uma ‘fábrica de dinheiro’ e os servidores compreendem isso. Mas reforço minha participação em todo o processo e informo que apresentarei números para fazermos o que for possível. Mas o que considero fundamental será realizado: o diálogo com todos e o respeito, acima de tudo. Porque eu estou Prefeito, mas sou servidor público, e nessa condição quero conversar, de igual para igual, com todos eles.”

UPA 24 horas

A questão acerca da implantação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mereceu destaque especial. Wagner Mol esclareceu que foram gastos, na obra, cerca de R$ 2 milhões, recursos que não podem ser desperdiçados. "Nós entendemos que a realidade precisa ser enfrentada de maneira mais consciente. Não sou eu quem está dizendo que a abertura de uma UPA exige cautela – o noticiário nacional o está fazendo. São diversas unidades abrindo suas portas e fechando por falta de repasse de recursos; outras nem mesmo chegam a abrir”, alertou.

O prefeito também esclareceu alguns pontos envolvendo o repasse de recursos para a manutenção da unidade. "Há possíveis convênios com o Governo do Estado, no valor de R$ 900 mil/ano e com o Governo Federal, no valor de R$ 1,8 milhões/ano. Mas isso não é factível, já que estamos falando de possibilidades. Não existe nenhuma portaria do Ministério da Saúde que assegure esses recursos. Como teremos segurança para colocarmos a UPA em funcionamento se Estado e União não têm cumprido nem com o que já está pactuado?”, indagou. Sobre a questão da gestão compartilhada da unidade por parte de integrantes do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Microrregião do Vale do Piranga (Cisamapi), o prefeito informou que vários dos municípios já assinalaram que não irão participar do processo.

"Não sou contrário a nenhum serviço público, mas sim a qualquer serviço que possa prejudicar o que já existe. Não podemos correr o risco de inviabilizar o que é básico. Outro ponto que questiono é: quem vai arcar com os custos até que a UPA seja colocada em funcionamento? São por essas e outras questões que exijo mais cautela e segurança no processo de implementação da UPA”, concluiu.

Anúncios

Ainda durante a coletiva de imprensa, o prefeito Wagner Mol fez alguns anúncios. O primeiro deles foi a mudança de local do ponto de táxi de Palmeiras para o lado oposto da Avenida Francisco Vieira Martins, onde se encontrava anteriormente (sob as árvores, sentido bairro Guarapiranga), em atendimento à classe dos taxistas, que entregaram abaixo-assinado com 23 assinaturas. O local já conta com placa e pintura indicativas.

Outros anúncios referem-se à disponibilização gratuita de novo local para o depósito de merenda escolar, numa economia mensal de R$ 20 mil, e a mudança da creche do Pacheco para espaço mais adequado, sendo ambos os espaços localizados onde estava situada a Superintendência Regional de Ensino. Além disso, anunciou-se a mudança da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo para o prédio da Escola Municipal Miquelina Martino Moreira dos Santos, gerando uma economia de R$ 3 mil mensais.